Escrevia poemas para me esquecer das coisas, das pessoas más e da vida má. Confesso que a música e a poesia me acalmam. Ter 7 anos e não se lembrar e nem se importar com a vida parece bem insano na infância, mas é para esta “Estação da Pérola” que eu volto quando quero me esquecer de tudo, anestesiar.
Aqui estou eu, isolada de amigos, família e pessoas desconhecidas, prefiro me esquecer de tudo, prefiro fingir que eu nem existo.
Mensagem do dia 15 de janeiro de 2008:
“Qualquer pessoa pode desejar o que quiser, a imaginação é livre para todos. Mas precisamos principalmente preservar o agora, o que temos e o que somos, para que futuramente possamos ter pessoas e objetos especiais de muito amor. Mas precisamos nos lembrar de sermos e não só de termos”.
“O olhar está para um lugar, para onde eu ainda não sei, mas pretendo descobrir e até esse dia não vou perder nenhuma oportunidade já que a vida é longa e as escolhas são muitas”.
Neste momento eu sou a criança que esfriou seu coração, o anestesiou, a criança que devia olhar o futuro com bons olhos, afinal nenhuma perda deve matar a essência de uma infância. Nesta época a imaginação devia ser meu suporte, ainda havia sonhos, as vezes quando eu olho fotos antigas eu vejo um sorriso e me pergunto como a criança que eu era ainda conseguia se sentir feliz com a perca de pessoas importantes e é aí que eu não consigo entender.
Mensagem do dia 08 de abril de 2009:
“Não sei amar ninguém, isto está me incomodando. Sei que consigo viver sozinha, mas acho que não quero”.
“Amar,
Amar fonte de ódio e desespero,
Amar sozinho é não amar,
Amar e não viver o amor é renegá-lo,
Amar é morrer a cada dia sem ver a morte”.
Foi nessa época que eu lacrei meu coração, disse para mim mesma que não era capaz de amar ninguém, enfim quando se tem 7 anos se sabe muito pouco sobre a vida, mas já é um começo, sempre nós lembraremos de momentos marcantes. Acho que o silêncio me pegou, mas é um silêncio da boca e jamais um silêncio da alma, dos pensamentos, pois estes jamais se silenciam. O problema de silenciar a boca é que a solidão te pega e não te larga mais.
Mensagem do dia 02 de agosto de 2009:
“A Solidão é estranha, talvez mais compreensível que o próprio agrupamento entre grandes amigos. Hoje estou melancólica como o tempo, onde as vezes esfria e logo em seguida esquenta. O sol parece indeciso como eu”.
Às vezes eu passo horas e horas olhando o sol e a natureza, ela me acalma, é nessas horas que eu abraço metaforicamente minha querida “Pérola Martins”, assim eu não me sinto tão sozinha. Eu apenas preciso respirar, olhar o lado bom da vida, preciso de tempo.
Mensagem do dia 05 de abril de 2014:
“Eu precisava de tempo,
Precisava colocar as coisas no seu devido lugar,
Desculpe magoar,
Desculpe não saber cuidar bem de você,
Mas o importante é saber que a partir de hoje sempre estarei ao seu lado,
Serei apenas paciente,
Serei sua ponte quando tudo der errado,
Serei seu colo quando quiser chorar,
Serei seu sorriso mais belo quando estiver plenamente feliz...”
Foi neste momento que eu descobri na vida, nos livros e na natureza uma forma bem inovadora de viver, onde houve uma conversa entre eu e eu mesma, entre eu e a “Pérola Martins”, criei uma personagem para me consolar, para vigiar meu coração da maldade do mundo. Criei uma proteção, apesar de ainda existir muita incerteza e transtorno interior. Mas enfim, esta sou eu uma poetisa e uma escritora de histórias inventadas, apenas sejam inocentes na medida certa.

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