Nascer, uma palavra repleta de significados. Está é a verdadeira fase pura de toda nossa vida, a infância é o berço da nossa alma. Minha querida “Amélia Jacinto” nasceu no meu interior, quando o balanço na árvore ainda tinha significado, quando eu imaginava ser a pessoa mais feliz de todas, apesar das “broncas” recebidas pelos adultos. Este era o meu mundo mágico, em que podia cantar e contar qualquer história para meus animais, seria como viver no meu paraíso pessoal.
Amar, sim essa palavra sempre teve um significado para minha querida “Amélia”, essa garota sim conheceu o amor, se apaixonou pelas pessoas, uma alma pura e inocente de qualquer pecado mundano.
O nascimento é um rito de passagem que não se pode simplesmente explicar, é preciso senti-lo com o coração. Dizem que alguns filhos são fruto do acaso ou simplesmente do amor. Me pergunto se fui uma filha desejada pelos meus pais ou se apenas me aceitaram pois eu vim através do acaso? Sinceramente, acho que nem eu e nem você leitor saberá um dia.
Bebês apenas mamam, choram e simplesmente nunca nos lembramos exatamente dos nossos primeiros meses. Sabe bebês me lembram possibilidades, me fazem viajar por horas pensando o que se tornarão futuramente, quem conhecerão e amarão, quem serão seus amigos e inimigos. Acho que as pessoas também pensavam isto de mim.
Gosto de olhar no fundo dos olhos dos bebês, parece que eu viajo plenamente, é uma conexão que eu pouco compreendo, mas eu sei que eu consigo sentir, me lembra o início de um novo começo, tipo algo ambíguo. É nessa fase em que começamos a desenvolver nossos talentos e nos permitimos errar sem ao menos termos muita noção de nossos atos, é nesta fase que percebemos que algo é bom e ruim com sinceridade. Amamos com honestidade e temos lembranças bem fortes sobre as situações. Eu costumava cantar sem compromisso, com letras inventadas, com histórias inventadas, me lembro dos animais e da floresta, me lembro do vento e das flores, me lembro de sensações que jamais conseguiria ter novamente em novas “Estações” das minhas “Personagens”, é essa inocência da “Amélia” que me encanta, de vez em quando eu volto a este ponto para me lembrar de que a vida vale a pena.
As vezes a inocência te encontra e os traumas vem junto.
Mensagem para a Psicóloga em 28 de outubro de 2015:
“Oi Psicóloga,
Algumas coisas na minha vida realmente mudaram, talvez até tenha criado uma garota que não sou, com diversos nomes, mas com uma identidade única. Mas no fundo a menina de 6 anos que fui, ainda é a garotinha que sou.
As pessoas estão aí morrendo a todo tempo e quanto mais eu penso nisso, mais eu me perco e não consigo entender o sentido de tudo. Por que amar se no fim você perde tudo? E por que obrigar alguém a te amar se tudo um dia evapora no vento?
Sabe, agora eu apenas olharia para o horizonte e imaginaria um caixão de vidro, com rosas vermelhas, diversas mulheres com vestidos negros longos de época e chapéus, só aguardando alguém, qualquer um para deixar mais alguém sofrendo.
Aí parei e olhei ao redor, é preciso seguir em frente, mesmo que eu tenha que esquecer de tudo, apagar da minha mente, isolar, sei que é injusto, como morrer na praia, mas uma coisa eu aprendi não se obriga ninguém a te amar, pois o amor é leve, é feito de convivência, de pequenas coisas, de pequenos atos, de bons momentos, de lembranças pequenas, mas marcantes.
O amor é feito de bons amigos, de amigas fiéis, de sorrisos alegres, de canções perfeitas, de dia a dia”.
Quando eu estou nesta “Estação da Amélia”, eu simplesmente confronto a mim mesma, eu parto da minha inocência de amor mágico, a perda de pessoas importantes e da incompreensão da vida frente ao amor das pessoas por mim e do meu amor por elas. Sabe, não dá para obrigar ninguém a te amar, não dá para “forçar a barra”, quem te ama simplesmente te ama, sem que você abra a boca para implorar amor. Óbvio que não é fácil perder alguém que se ama, mas a vida é assim mesmo, sempre te testando, sempre te colocando frente a frente com nossos piores medos. No entanto, uma coisa eu aprendi, julgar a mim mesma e os outros pela minha fraqueza ou pelas suas falhas não é justo e nunca vai ser, apenas a própria pessoa é capaz de se justificar, ou, pelo menos, tentar se entender.

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