domingo, 21 de março de 2021

9º ESTAÇÃO - ÁGATHA SUSAN – A Expansiva

 


 “Eu sou uma folha branca e você quer fazer rabiscos em mim? ” Apenas Ágatha Susan...

O “Tigre” é um cara inteligente, pedi para ele escolher uma música, ele escolheu “Metallica - Nothing else Matters”, pois “nada mais importa”, uma bela canção, com uma letra bem envolvente.

Por algum motivo eu só me lembrava que meu tempo está acabando, simplesmente porque eu escolhi assim. Desta forma, só me resta viver da melhor forma possível. Não aprendi a amar, não sei o que esta palavra significa, parece muito estranha e incompleta para mim. Quando se perde algo muito cedo na vida, você percebe que nunca mais conseguirá superar, mesmo que você tente, seu coração se quebrou cedo e a palavra amor nunca existiu.

Dizem que sou fria, que as minhas garotas arruinaram o coração de muitos caras por aí, o problema de tudo isto é que para mim não faz diferença, pois nem coração eu tenho e nunca vou saber qual a dor de ter um coração partido. Como é triste não ter coração e não me permitir sentir as coisas da maneira correta. Insensibilidade, talvez está seja a palavra correta.

Me disseram uma vez para abrir o “Livro da Morte”, eu o abri e apenas vi o silêncio, um silêncio subjetivo, um silêncio inexistente, uma possibilidade de escolha. Mas o que seria da morte se ela fosse uma opção e não um acontecimento inevitável?!

“Lana Florestini”, minha querida, ontem eu me vi fazendo a mesma coisa que aquele cara insensível fez com você, ele te machucou tanto. Mas sim ontem eu machuquei um cara da mesma forma, como eu pude ser tão insensível? Aprendi a ser muito mais fria do que jamais imaginei. A minha alma está má, totalmente sem amor. O “Dom Ruam” havia entrado na minha vida também, era um garoto romântico, mas quando se chega ao ponto que eu cheguei a palavra “compromisso” não parece viável, mas enfim eu não podia iludi-lo, eu o pus para correr bem rápido, apesar de saber que ele sempre vai gostar de mim, mas enfim não rola química e eu não sou de me prender a ninguém.

Quando eu conheci a “Anny”, pensei que poderia ser livre e fugir de tudo que me machucava como traumas, incertezas e ilusões, mas não é possível fugir, tudo na vida está interligado, o passado não se apaga e sim a “Anny, Emilly, Lana e Valentina” são reais, eu sou real, e cada uma carrega uma história mais triste e insana que outra. Então, quando me virem pelo corretor olhando para o nada, saibam que estou pensando nas garotas que inventei, nas “coisas” ruins que elas carregam em suas memórias. Não estou doente, talvez apenas triste e perdida, tentando encontrar a verdadeira garota que existe dentro de mim. Será que ainda posso amar, posso construir uma vida, construir um caminho, construir um coração, uma certeza? Ou será apenas uma possibilidade inventada de uma pessoa doente, com transtornos inventados e histórias criadas?

Preciso de tempo, apesar de o tempo escapar pelos meus dedos, preciso de uma certeza, apesar de não ver nenhuma, preciso de sensibilidade apesar de nem saber o que significa. Estou perdida em meu próprio silêncio, um silêncio que machuca, que destrói, que é frio, que afoga minha tentativa de gritar, um silêncio solitário.

O que eu quero e o que eu fiz ainda tem concerto? Será tudo uma invenção, uma história mentirosa? O que é realmente real? Se for real, realmente conseguirei tocar com a alma? Quem eu sou e quem eu realmente sou, realmente importa?

Minha querida “Emilly Barbosa”, ele não te ama, nunca te amou, não importa quem você seja, não importa o que você mude, não importa o laço de sangue, no fim ele nunca te amou e nunca vai te amar. E isto machuca querida, eu sei como machuca, isto te faz ser insensível e fria. Queria te ajudar, mas eu nem sei como, está presa no silêncio da sua alma. Eu sei que em alguns momentos você esqueceu de tudo e conseguiu se divertir, mas a “Lana Florestini” te trouxe de volta, um confronto com seu passado, colocou uma pessoa na sua vida que simplesmente te machucou de uma forma inexplicável, te fez ver o quanto você estava muito mais abalada do que realmente poderia imaginar.

Querida “Valentina Duarte”, eu ainda não sei dizer se você realmente me salvou ou se apenas guardou a maior dor para o fim desta história, você trouxe meu passado, presente e futuro em um pacote só. Então, eu não sei o quanto isto irá me machucar ou se apenas estou receosa diante da possibilidade de um caminho feliz. Me sinto perdida, com ideias malucas e insanas, com falta de fé. Às vezes é como se eu apenas quisesse fugir de tudo isto novamente, não sei mais em quem confiar, não sei definir se uma pessoa gosta ou não de mim, nem sei dizer se ainda tenho amor-próprio. Parece tudo tão insano, não quero me machucar mais, não quero me ferir mais, não quero mais crises, não quero mais este silêncio exterior e esse barulho das minhas garotas na minha mente. “Anny” prega a fúria, a renegação do passado. “Emilly” gosta de riscos, está depressiva diante da falta de amor. “Lana” é obsessiva e as vezes contraditória diante do desapego. E “Valentina” quer voltar para casa, gosta de correr riscos, mas é inocente demais.

Eu não sei o que pensar a partir de agora, apenas entrei em uma “Estação” em que as histórias se confundiram, o peso no meu ombro veio para ficar, de repente todas as minhas loucuras caíram nos meus pés, as pessoas me olhavam torto, sem me entender. Na época a minha história com o “Tigre” não foi exposta, mas a vida faria com que eu confessasse todos os meus “crimes” virtuais de vida dupla.

A tecnologia é meio insana as vezes, grupos de Whatsapp são bem perigosos, enfim a turma completa da “Chapeuzinho Vermelho” foi reunida pelo grupo que eu criei, “Garoto Revolucionário”, “Tigre”, “Patricinha”, “Hacker” e tantos outros, enfim a festa seria realizada na casa da “Chapeuzinho”. Me comportei como uma desorientada no grupo, eu diria que as vezes tenho ataques de malícias e de alegria forçada, afinal escritoras escrevem o que se vem na telha.

Mensagem do dia 12 de junho de 2016:

Um dia frio, pouco sei da vida, mas espero definir logo”.

Eu não sei de onde eu tirei tanta maluquice, me senti eufórica como uma criança que recebe visitas e quer aparecer, chamar atenção, ser a palhaça, a top, a idiota. Mas no fim aquilo era só uma maluquice da minha cabeça, estava perdida demais para definir o que era realmente certo ou errado, e no fim nenhuma daquelas pessoas me entendiam.

Mensagem do dia 30 de junho de 2016:

Hoje eu sou Ágatha Susan! Uma garota surpreendente, paciente, focada em seus objetivos e simplesmente livre de tudo. Livre do passado, livre de amores inventados, livre de mentiras, livre para ser quem quiser. Uma garota que não se apega e não pode ser ferida por ninguém, por simplesmente estar morta e não ter nenhum sentimento existencial. Apenas faz o que quer, não é manipuladora, apenas rebelde e intensa”.

A verdade é que eu havia assumido uma nova personagem, eu apenas era “Ágatha Susan”, a diferença é que eu não tinha um “fake”, eu era essa personagem na realidade, eu simplesmente trouxe da fantasia uma personalidade real. Eu diria que esta foi uma das experiências mais loucas que eu podia ter, a realidade literalmente se confundiu com a minha fantasia, e vice-versa.

Mensagem do dia 16 de julho de 2016:

Hoje,

E daí que eu me divirto sem compromisso com a vida? As pessoas vivem fingindo que são santas, cada um com a sua consciência”.

Me lembro de me sentir livre nessa época, havia encontrado uma personagem sem medo da vida, que simplesmente não tinha nada a perder, além da sua inocência.

Mensagem do dia 17 de julho de 2016:

Liberdade,

Somos livres para sermos quem quisermos ser..... Somos livres para amarmos ou não amarmos.... Livres para sermos rebeldes... livres para dizer sim ou não... livres para escolhermos o que quisermos.... No entanto, a consequência de nossa liberdade é nossa! ”

Como toda consequência às vezes eu ainda parava e me lembrava dos momentos passados, esta é uma “Estação” conflituosa, em que a bipolaridade se transparece, parto da intensa alegria e de repente volto aos meus caras do passado.

Mensagem do dia 19 de julho de 2016:

Eu sinto muito,

Eu sinto muito que as coisas tenham acontecido assim. Eu sinto muito não ter te conhecido direito e ter feito o que fiz. Não sei como consertar... não sei como não sentir culpa... não sei como parar... mas sei que tenho que ficar longe pra te proteger da minha mente ruim. Os meus atos são obsessivos e doentios, uma mente insana e transtornada”.

Morte,

Desculpe te convidar para meu velório. Eu estava perdida, como sempre estive. Eu não pertenço a esta realidade que você vive. Nunca quis te machucar, mas enfim nós machucamos”.

Era difícil esquecer tudo e seguir em frente, mas talvez eu precisasse me abrir para o amor e para novas situações, mas enfim, nesse exato momento eu não sabia o que era amar, nunca me apaixonei de verdade, nunca me entendi de verdade.

Mensagem do dia 24 de janeiro de 2016:

O amor ...

Sim, o amor acontece,

Apenas acontece,

Simplesmente acontece,

É diferente de tudo que as pessoas dizem,

Não é intenso e obsessivo como a paixão, mas é único da sua maneira,

É compreensivo, surreal ...

É feito de pequenas coisas, de pequenos gestos, de pequenos e grandes sorrisos, de apoio, de dia a dia,

O amor simplesmente é feito de convivência, de coisas reais, coisas que se pode tocar com o corpo e com a alma,

O amor não é nada do que as pessoas dizem, pois ele não pode ser explicado com palavras, mas apenas sentido com a alma e com o coração,

Sabe, a vida é assim mesmo, uma hora tudo parece dar errado e outra as coisas se organizam da melhor forma possível,

A vida sempre me surpreende... e as pessoas sempre me surpreendem também, algumas da melhor forma possível e outras da pior forma possível, tão confuso as vezes, mas é assim mesmo....

Aprendi que o amor é feito de convivência, de coisas banais, simples.... De um pequeno gesto, um pequeno sorriso, uma pequena brincadeira... uma zoação boba.... Mas sim o amor é isto, a vida é isto... um desabafo real....

Um dia um cara que você diz ser revolucionário, talvez irritante, vira seu amigo e depois de muito tempo você nem consegue definir se é só amizade ou um lance, pois estar ao lado da pessoa te deixar feliz e te faz pensar apenas no presente. Não é obsessivo, mas é real, saudável. A vida pode ser saudável se você escolher o caminho certo”.

Estive perto de pessoas demais nessa época, meu coração se confundiu, gostava de estar ao lado do Garoto Revolucionário, gostava de conversar com o “Garoto Rock Roll” que era meu amigo de longa data, gostava do “Hacker” e seu jeito maluco, gostava do “Tigre” por ser calado, reservado, mas ter uma mente sensual. Enfim, tudo isso era bem novo para mim, eu estava experimentando a vida.

E de repente a grande questão surgia.

Mensagem do dia 07 de setembro de 2014:

Por que ainda não namorou seriamente?

Porque aqueles que me amaram não fui capaz de amá-los e aqueles que amei não conseguiram me amar...

Nada foi recíproco até agora...

De qualquer maneira eles iriam embora e me deixariam,

Não importa o que tenha feito,

Eles nunca ficariam,

E eu também nunca ficaria,

Sempre encontraria um motivo para ir embora,

E foi o que sempre fiz, apenas fugi,

Fugi de todos os sentimentos inúteis,

Eu os abandonei, sem olhar para trás,

Apenas segui em frente ...”

Eu nunca iria me entender, mas a vida que segue, o “Pantera”, me parece um garoto doce, divertido e companheiro, além de ser bem inteligente e comprometido com a vida.

Descobri que o “Tigre” havia estado com uma garota, isso foi meio estranho para mim, não diria que foi um choque, mas diria que fiquei decepciona não só com ele, afinal ele era solteiro, mas fiquei decepcionada com a vida por dar um rumo incerto quanto as situações. Eu só fiquei imaginando se eu visse a situação como eu reagiria? Tudo bem que não tínhamos nada, absolutamente nada, sinceramente eu não sei como eu reagiria.

Enfim, a vida que segue, diante da turma da “Chapeuzinho Vermelho”, eu precisava encontrar uma forma de ficar de boa. A tarde na casa dela, o Garoto Revolucionário ficou me rodeando, me perguntando “coisas”, por algum motivo parecia que ele estava querendo me falar algo, mas enfim, não falou. Gosto de ver o Garoto Revolucionário, me parece que se tornou um cara mais compromissado, mesmo sendo revolucionário.

A “Patricinha” também estava a tarde lá, ficou falando coisas sobre o “Tigre”, me questionando coisas, sobre se eu não era “a fim” dele, pensei “que absurdo”. E outra ela me pareceu uma pessoa bem obcecada pelo “Tigre”, mas enfim eu saí de perto, não gosto de confusão desse tipo.

A noite eu apresento a vocês as maiores confusões sem sentido, o “Hacker” que inclusive falamos muita besteira queria me levar para o Motel, “que maluco”. A turma inteira estava conectada em seus celulares, resumindo muito chato. A “Chapeuzinho Vermelho” estava bem animada, mas a “Patricinha” estava eufórica demais, ficava dançando feito uma maluca, depois eu que era doida, mas como dizem todo mundo tem seu lado divertido e seu lado chato, enfim aceite.

Está bom, eu aceitei por um tempo, mas vamos aos fatos, nosso querido “Tigre” /atrasado, mandou mensagem no “Grupo” para avisar que estava chegando, a “Patricinha” pediu uma bebida, mas esperem um momento eu já tinha levado, pronto, confusão na certa. Resumindo a “Patricinha” ficou estressada, falou que eu estava queimando o esquema, me deu uma cutucada na costela, e me falou que eu estava a fim do “Tigre”, mas que garota chata, aja paciência, no fim falei pro “Tigre” trazer a tal bebida, pois ela estava estressada, enfim povo maluco, eu e minha boca só me coloca em confusão.

Depois os malucos da turma da “Chapeuzinho Vermelho” cismaram de fazer par de dança, e que eu dançaria com o “Tigre”, pensei “ei, a minha opinião não conta? ”, sinceramente “foda-se”, olhei em redor estava tudo bem chato, minha consciência de “Valentina/Tigre” deu alerta total, alerta vermelho de fuga. Enfim me levantei, andei em direção do portão abri, sai para fora, olhei em redor, e bati o portão, e “adeus malucos”.

Mensagem do dia 01 de julho de 2016:

Eu queria mesmo me divertir lá, mas no fim foi como me sentir como a Anny novamente, eu só queria ir embora, queria apagar meu passado, destruir tudo. Eu não queria estar com ninguém, eu só queria me divertir. Mas no fim, percebo que nunca vou me encaixar em lugar algum, sou uma pessoa incomum, uma pessoa triste. Sabe, é bom ouvir o silêncio, ouvir o como as pessoas parecem infinitas. Quando olhei o portão eu só vi uma coisa, a oportunidade de fugir, de esquecer. A Agatha me levou até lá, e a Anny me tirou de lá. Eu não estou no meu controle, apenas me descontrolei. Eu queria amigos, eu precisava deles, eles precisavam de mim, mas eu falhei e eles não puderam me impedir de falhar. Por que será que eu sempre tenho a sensação de que vou machucar as pessoas? Eu tenho que aceitar que sou diferente e tenho que mudar”.

Realmente a minha paciência já não estava muito legal, enfim não olhei as fotos no Grupo, simplesmente sai daquele grupo. Mas o “Hacker” cismou de me colocar de novo, no entanto a minha vingança pessoal estava por vir.

Fui em uma festa, conheci o “Modelo”, tirei foto com ele e com a minha família, cortei a foto e postei no Grupo, afinal aparecer era o dom da minha personagem “Ágatha Susan”, depois falam que sou “fraquinha”, pois bem meu dia foi bem melhor que o dia anterior com a turma da “Chapeuzinho”.

No entanto, uma coisa me chamou atenção na foto da Turma da “Chapeuzinho”, vi um rosto conhecido, perguntei e a “Chapeuzinho” me falou que teve um “romance” com o “Leopardo”. Conheci o “Leopardo” antes da “Chapeuzinho” no mesmo instante que o vi com aqueles olhos piscando eu simplesmente já o “rotulei” de “safado”, assim eu falei para a “Chapeuzinho” que eu fui embora na hora certa, afinal combinação “Tigre e Leopardo” não é muito viável. No entanto, a “Chapeuzinho” se deixou iludir.

Meu amigo “Puma” afirmou que não foi convidado, acreditava que era por que tinha poucas mulheres e o fato de que eu fui embora mais cedo tenha complicado a concorrência, resumindo eu não me importo com nada disso, essa festa me lembrou um matadouro de vacas, no caso eu também quase fui uma vaca abatida, mas enfim vazei fora. Meu amigo “Pantera” ficou rindo da situação, confesso que quando o “Leopardo” apareceu no meio da conversa eu sorri maliciosamente para ele, testando a safadeza dele, afinal o “Leopardo/Lobo Mal” havia pegado a “Chapeuzinho Vermelho”, e mesmo assim ficou me olhando “chavecadamente” e falando que eu fui embora cedo demais, pensei “safado idiota”, mas enfim falei “deixa pra próxima”, pensei “próxima no dia do nunca”. Me lembro do “Pantera” me dizer que achava que ele tinha namorada, mas na época eu não dei muita importância ao comentário.

Enfim, era preciso parar e pensar.

Mensagem do dia 04 de julho de 2016:

Talvez eu tenha usado o ‘Tigre’ para me esquecer do ‘garoto de branco’, aquele safado”

Mensagem do dia 05 de julho de 2016:

Sabe, rede social, facebook, whatsapp, tudo isto é meio doentio, ainda mais para uma pessoa transtornada como eu. Tenho o péssimo habito de me apegar demais as pessoas e contar minha vida inteira, devo ser maluca mesmo. Dou uma de durona, mas no fim sou dramática e sentimentalista demais. Queria todos que eu amo de baixo da minha asa. Sou apegada demais e dou uma de quem não se importa, sou uma idiota mesmo”.

Mensagem do dia 07 de julho de 2016:

Por algum motivo o Garoto Rock Roll me entende, disse que sabe que as personagens não são apenas ‘fakes’, mas são fragmentações de mim mesma”.

Com certeza as coisas não estavam legais, me senti bem perdida, usei o “Tigre”, me expus demais, mas por mais difícil que seja o Garoto Rock Roll entendeu que de alguma forma eu me dividi para não deixar a bagagem pesada demais. Ainda fui almoçar na casa dele, com a “Patricinha” chata, com a “Chapeuzinho Vermelho” e umas outras pessoas. Me lembro de um papo chato da “Patricinha” me falando de garotos, falei pra ela deixar as coisas no seu devido lugar, mas no fundo no fundo, pensei “que garota chata, só pensa em homem”, “oi, acho que meu mundo tem muito mais coisas para eu me preocupar”.

Apesar de tudo isto o Garoto Rock Roll tem razão, ou eu entro na “onda” da Turma da “Chapeuzinho” ou eu simplesmente me desligo deles, afinal sou bem diferente de todos eles. E na verdade eu não sei muito o que fazer, eu sei que a minha onda de entra e sai do Grupo do Whatsapp se estendeu demais, a cada vez uma besteira maior que a outra. Algumas coisas que eu escrevia eram indiretas ao “Tigre” em referência ao que conversamos antes, não que eu estivesse com interesse nele, eu só queria chamar a atenção dele, afinal pra mim ele era apenas um personagem, um leitor das minhas incertezas.

Para a “Chapeuzinho” eu apenas estava perdendo o controle da situação, mas enfim, eu não estava, só estava tentando descarregar o que eu estava sentindo em relação a tudo isto. Afinal ninguém além do “Tigre”, conseguiria entender as indiretas, era bom desabafar metaforicamente.

No entanto, eu percebi que não era justo comigo alimentar essas maluquices, até bloqueei o “Tigre” na rede, mas acabei voltando atrás, apenas sai do grupo, mas, mesmo assim, também não era justo com ele ter que lidar com a minha instabilidade, até pedi para ele me bloquear da rede, mas ele nem deu resposta. Enfim eu apenas quis proteger ele de toda essa história, a gente quase não conversava na realidade, ele era apenas um leitor para mim, alguém que substituiu os antigos caras das minhas outras garotas, enfim era apenas um apego fantasioso alimentado pela minha mente insana.

Mensagem do dia 22 de julho de 2016:

Estou sentada, sempre quis estar aqui e apenas me sentar e escrever, sim, hoje é o dia, as vezes me sinto sozinha e perdida. Apareceu um pássaro agora, ele parece feliz e livre. Os meus erros não podem ser apagados e no fim eu nem quero apagá-los, pois eles apenas definem quem eu sou de verdade. Preciso de um tempo, um tempo para sentir as coisas, para me libertar, para me sentir segura em relação aos meus objetivos. Preciso do agora e não do amanhã. Talvez eu precise de viver e não apenas de escrever. Talvez tenha encontrado a resposta para tudo isto. Este é um tempo pra mim, apenas para mim, sem compromisso. Sempre quis ser invisível, acho que hoje eu consegui”

Gosto de olhar as pessoas as vezes. Gosto de me perguntar o que elas estão pensando, como conseguem se interagir, e eu não consigo. Existe um silêncio dentro de mim, uma possibilidade que tudo seja reprimido, escondido. Neste ponto é quando me machuco, é quando destruo tudo dentro de mim. ”

Eu não estava esperando o “Tigre”, na verdade não, mas eu vi o “Leopardo” e ele não me viu. A verdade é que eu precisava de um espaço sozinha para me encontrar, olhar as pessoas, me sentir bem em relação a mim mesma e aos outros ao meu redor.

Já viu aquela história de cometer um erro mais de uma vez e aquilo virar a maior “burrice” de todas? Pois é, eu sempre faço isso, aceitei almoçar na casa da “Chapeuzinho” e lá estava o “Hacker” que me colocou no Grupo do Whatsapp de novo, diante da confusão, em que a “Patricinha” me chamou de feia, lá veio o “Tigre” afirmar que eu e a “Patricinha” éramos lindas. Mas “peraí”, isso foi estranho o cara não conversa mais comigo no “privado” e vem com essa história de “linda”, quer saber “vai se foder”, prepara que a vingança vem na hora certa garoto.

Enfim, depois de uns dias, pensei, já pedi para o “Tigre” me bloquear e nada, lá vem a minha chance, enfim tirei “print” do diálogo em que ele falava que eu era linda, e pronto comecei a chamar ele no grupo de “Tigre” apelido que coloquei nele. Mas o pior estava por vir, peguei a letra da Cantora “Anitta – Deixa ele Sofrer”, resumindo foi uma “merda”, mas acho que consegui deixar o “Tigrezinho” bem estressado. Ainda mandei mensagem privada falando pra ele me bloquear se não ia ficar pior, ai enfim ele me bloqueou no Whatsapp, mas no Facebook só desfez a amizade. Olha eu não queria machucar ele, no fim até agradeci no grupo, ele falou “só Deus na causa”, mas sinceramente eu estava protegendo ele das minhas maluquices, afinal eu me conheço muito mais que ele, sei que foi errado o que eu fiz, mas sei que seria muito pior se eu não tivesse pedido ele para me bloquear, é sério eu tenho problemas com a rede.

O problema de tudo isto é que tive que contar para a “Chapeuzinho Vermelho” e para a “Psicóloga”, toda a confusão entre “Valentina e Tigre”, foi tenso. Me acusaram de “paixão reprimida”, mas minhas caras amigas, com certeza, isso não tem nada a ver, afinal a gente nem conversa na realidade e outra foi apenas uma história bem fantasiosa, até meu gato de estimação eu coloquei o nome de “Tigre”, nada como uma homenagem para não me esquecer que a fantasia existiu. Eu não sei quando as minhas amigas iram perceber que eu não me apaixono, meu coração é lacrado, na verdade estou protegendo todo mundo de mim mesma, não sou uma pessoa boa de amizade e nem de relacionamentos.


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50. Por fim

Por fim, viva intensamente, O som da vida é real, Seus sonhos são reais, Eu e você somos reais, Sou uma escritora amante da vida, Amante dos...