domingo, 7 de março de 2021

7º ESTAÇÃO - LANA FLORESTINI – A Apaixonada

 


Peraí”, esta não era a parte em que eu me tornava racional? E de repente o título do capítulo é “Lana Florestini – A Apaixonada”, pois é, o destino é traiçoeiro, sabe quando você olha alguém pela primeira vez e a “doença da paixão” te pega? Então, ela me pegou.

Já se apaixonou à primeira vista? Pois é, eu já, ele era diferente, sabe aquele negócio de olho no olho e ficar encontrando com a pessoa pela cidade de forma casual? Pois é, a gente era assim, me apaixonei por um cara desconhecido de forma casual, o acaso da vida, me tornei obcecada por ele, nunca vi algo tão mágico e intenso, a gente não se tocou, mas era uma ligação muito forte.

Mensagem do dia 21 de fevereiro de 2016:

Sabe o que me faz diferente? Não gosto de coisas comuns, não gosto da mesmice. Sempre estou em busca de coisas intensas, paixões intensas, desejos intensos. Nada me irrita mais que planejar um futuro comum com festinhas, compromisso, casamento, filhos e felicidade inventada. Prefiro aventuras inimagináveis, situações obsessivas, apostas enlouquecedoras, liberdade plena e adrenalina, muita adrenalina”.

Me lembro de ver aquele garoto, várias vezes, era o “Garoto de Branco”, me pareceu um bom cara. Eu o encontrei na rede do Facebook, mas confesso que foi bem difícil, afinal procurar um rosto de um desconhecido na rede é bem difícil, já que eu não sabia seu nome. Sei lá, mas a vida é estranha, eu comecei a conversar com ele pelo meu “fake” da “Lana Florestini”, até mandei foto minha, ele se lembrou de mim, mas as coisas foram tomando um rumo errado.

Mensagem do dia 13 de outubro de 2015:

Eu vi um cara no meio da multidão,

Olhar firme e sombrio,

Eu quis saber seu nome,

Mas a morte foi mais rápida que meu pensamento,

A faca ultrapassou seu ventre e a vida foi roubada dele como um piscar de olhos,

Eu não me movi, pessoas o rodeavam,

E me via apenas imaginando a cena do futuro velório,

Mulheres de vestidos pretos e chapéus de flores negras ao seu redor,

O defunto ou cara em um caixão de vidro e rosas brancas,

As mulheres não choravam, mas o luto era presente em suas faces....

Mas, neste momento parei de imaginar, não havia cara esfaqueado e tão pouco um velório futurístico, no fundo tudo era uma invenção insana de uma mente solitária”.

Ele não morreu, isso é obvio, mas eu descobri que ele tinha uma namorada e não foi capaz de me contar nada, eu o vi nas ruas algumas vezes ainda, mas ele nunca me disse nada sobre ela. Confesso que ainda pedi desculpas para ele por ter sido tão louca, até desejei “feliz aniversário”, talvez eu tenha sido romântica e iludida demais, mas sabe quando você conhece alguém e de repente quer essa pessoa na sua vida? Então, acho que ele foi o primeiro que eu realmente queria perto de mim, mas não deu.

Me lembro de o ver em uma festa junto com sua namorada, eu nunca pensei que eu ficaria tão triste e insegura sobre o que eu queria na minha vida. Eu já não era eu mais, apenas era uma personagem, eu apenas era a “Lana Florestini”, uma garota apaixonada e iludida de tal maneira que nem eu pensei que um dia pudesse me iludir.

O “garoto do pô estava na festa também, nosso encontro foi mágico, ele me olhou de uma forma tão intensa que eu mal pude entender a vida, o meu passado estava no meu pé novamente, não importa onde eu vá, sempre haverá um cruzamento da estrada e vou ter que aprender a lidar com tudo isto.

Eu não queria o “Garoto de Branco” perto de mim mais, foi uma obsessão insana que me pegou, com direito a chamar ele de “babaca idiota”, e ele me dizer que “o babaca aqui é importante pra você”. É, talvez ele tivesse razão, mas o ódio que eu estava sentindo ultrapassava meus limites.

Mensagem do dia 13 de outubro de 2015:

Eu o amei por Cinco Estações e o odiei por mais Cinco. Tudo se inicia no Outono e termina no Inverno. Ele foi tudo que um dia eu quis e desejei, no entanto no instante (no ponto) em que eu o odiei ele passou a não representar mais nada, mesmo que eu o tenha amado incondicionalmente”.

A parte boa de se odiar alguém é que a raiva te faz esquecer e até mesmo se vingar da pessoa, e nessa fase de aceitação da perca do “Garoto de Branco” que quem esteve perto de mim foi o “garoto do pô. O meu amigo do passado estava perto de mim novamente, mas agora era meio diferente, as vezes ele agia como se não tivesse namorada, sei lá, as coisas foram se confundindo, mas logo eu descobri que ele era amigo do “Garoto de Branco”, fiquei bem magoada, logo descobri que o “garoto do pônão tinha mais namorada, e o “garoto de Branco” arrumou outra namorada. O que me magoou mais foi o “garoto do pô não me contar nada sobre essas mudanças e ainda falar que eu “exasperava” demais as coisas, enfim talvez ele tivesse razão, mas ele omitiu muita coisa de mim, eu não podia mais confiar nele.

Mensagem do dia 05 de março de 2016:

Oi Psicóloga,

Sabe quando as vezes se precisa silenciar a alma? Assim antes disto é preciso silenciar a boca, silenciar a escrita e silenciar os pensamentos. As vezes precisa-se de tempo. Um tempo que é só meu e que é só seu.

Não sei se vai conseguir me entender, mas nesse exato momento quero ver tudo por um ângulo novo. Apenas me testar, apenas não me permitir sentir nada, apenas deixar as coisas no seu devido lugar, como apenas seguir a correnteza, sem olhar para trás. Apenas me levantar da cadeira, virar as costas e ignorar, sim eu consigo, pois eu já fiz isto e não há como voltar a traz.

Sabe é tarde demais para mudar as coisas, preciso que cuide muito bem da sua vida. Preciso de um tempo, em que eu não machuque mais ninguém, em que eu não me machuque mais. Preciso de um tempo para descobrir quem causou essa confusão, quem me tornou fria, e quem não me ensinou a amar as pessoas da maneira correta. E sim ele tem razão... eu exaspero demais as coisas... e sim eu preciso ser mais de boa... preciso me cuidar... Mas uma coisa eu posso escolher, escolher me cuidar bem longe de tudo isto... me cuidar dentro de mim mesma, me cuidar em silêncio, me proteger através do silêncio. Me proteger apenas...”

A decisão estava tomada, eu precisava me afastar de tudo, precisava me isolar de tudo isto, precisava ficar longe do “garoto do pô, e do como ele representava alguém que um dia cismou em me dizer que a nossa aproximação era tarde demais, isso me doeu muito, nunca me senti tão rejeitada, tão infeliz.

Eu até tentei me apaixonar por um outro cara que conheci na rua, sei lá, se eu me apaixonasse novamente, talvez eu esqueceria o “garoto de branco”. Mas enfim a garota apaixonada já não existia mais, a “Lana Florestini” se foi, meus sentimentos se foram.

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50. Por fim

Por fim, viva intensamente, O som da vida é real, Seus sonhos são reais, Eu e você somos reais, Sou uma escritora amante da vida, Amante dos...